O leilão de transmissão realizado pela ANEEL, no fim de março, mostra uma mudança no tipo de solução que está sendo priorizada no setor elétrico.

Com projetos contratados que somam R$ 3,3 bilhões em investimentos, estão previstos, além de construção e manutenção de 798 km de linhas, compensadores síncronos voltados a aumentar a capacidade de escoamento de energia.

Esse é um ponto central.

Em um cenário de crescimento acelerado das renováveis, limitações na rede já começam a gerar restrições operativas em algumas regiões – como os episódios recentes de curtailment.

Ou seja, a expansão da transmissão deixa de ser apenas suporte e passa a ser parte ativa da eficiência do sistema.

Ao mesmo tempo, o resultado do leilão chama atenção pela competitividade. Mesmo com aumento do custo de capital, o deságio médio superou 50%, acima dos patamares recentes.

Isso indica que o interesse dos investidores permanece elevado. Mas também aponta para um cenário mais pressionado, em que os projetos passam a ser estruturados com menor folga econômica.

Nesse contexto, a transmissão assume um papel ainda mais estratégico: não apenas conectar novos ativos, mas garantir que a energia gerada seja, de fato, aproveitada.

É esse equilíbrio que passa a definir a eficiência do sistema.

E, na prática, onde está hoje o principal ponto de atenção: geração ou transmissão?